No outro dia andava eu aqui a falar que isto agora há dias para tudo e mais alguma coisa e não é que hoje é dia do Cheesecake e do Vizinho também, vou aproveitar a deixa e falar de vizinhos, os vizinhos que tive ao longo da vida, alguns foram bons outros nem por isso, é como tudo na vida.
Comecemos bem lá no principio, onde eu nasci, vivíamos no torninho de baixo embora tenha lá vivido até os 5 anos tenho boas lembranças dos vizinhos, não me lembro de todos mas lembro que eram bons vizinhos e havia muito convívio, daqueles que se pede uma xícara de açúcar e não precisamos de devolver, mas as melhores lembranças que tenho são dos filhos das vizinhas e das nossas brincadeiras, brincávamos no meio da rua e ninguém vinha a correr para nos tirar da rua nem tão pouco ficava a nos vigiar. Lembro-me do Manó, um senhor de idade que comia ovo estrelado com pimenta ao pequeno amoço. Lembro-me de tantos outros que poderia ficar aqui o resto do dia a falar deles. É incrível como tenho tantas e tão boas lembranças da minha vida até aos 5 anos e depois dos 5 também.
Depois fomos morar na rua da Saúde, também conhecido como o morro, na casa onde os meus pais ainda hoje vivem, por ser uma rua pequena tivemos poucos vizinhos. Eram poucos mas bons, havia a senhora Maria que todos os sábados oferecia-nos um pão quente por alma do seu falecido marido e que bom que era comê-lo quentinho com manteiga e açúcar, havia também a senhora Conceição e as suas netas que eu tanto gostava de brincar, e também a vizinha Rita e os seus 3 filhos com quem brincávamos muito no forno da telha, eu até tive um vizinho que agora é presidente da câmara e cá para mim ele ainda vai ser presidente do governo, o rapaz é boa gente e leva jeito para coisa.

Depois fui para a faculdade e lá não tive vizinhos, pois vivi em residência universitária e só voltei a ter vizinhos quando fui viver para Massamá. Os vizinhos da rua direita não foram dos melhores, eram daqueles que não chateiam, um simples bom dia e boa tarde era o suficiente para mantermos uma boa relação, os vizinhos da Rua Miguel Torga (2ª casa que vivi em Massamá) também eram a mesma coisa. Houve uma coincidência nestes dois prédios, tanto num prédio, como no outro a vizinha de baixo era uma velhota que gostava de implicar comigo, quando mudei da rua direita para a rua Miguel Torga ia toda contente a pensar que estava safa da vizinha de baixo e não é que apanho outra igual?! Pensava eu que era o meu destino e quando chego aqui ao Brasil vim morar num primeiro andar sem rés do chão, ahhhh estava livre da minha sina de vizinha chata no andar de baixo e ganhei uma excelente vizinha do lado, que me traz pão queijo quentinho para o lanche e faz uma lasanha maravilhosa, que mais posso eu desejar? Apenas que a vizinha de cima não grite tanto durante a noite.
